segunda-feira, junho 21, 2010

Eu ouvi Deus


Eu ouvi Deus
Paulo Roberto Gaefke

Levantei chateado já pensando nos inúmeros problemas que eu tinha para resolver naquele dia, um gosto amargo na boca, dores pelo corpo e uma angústia esquisita me invadia a alma e dizia que eu não havia dormido bem.

Eu parecia uma barata tonta, não tinha idéia de "por onde começar"... Quando sai para a rua fui surpreendido por um dia maravilhoso, um sol "gostoso" iluminava um céu azul quase sem nuvens, e eu tive a impressão de que Deus queria falar comigo.

Continuei caminhando e nas árvores da praça perto de casa, dezenas de passarinhos cantavam alegres e disputavam alimentos com uma barulheira festiva, e senti que Deus queria falar comigo.

Olhei para as flores daquele Jardim e me lembrei de Jesus falando aos antigos:
"(LC 12:27) Olhai os lírios no campo, como eles crescem; não trabalham, nem fiam; e digo-vos que nem ainda Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como um deles.", e mais uma vez senti que Deus queria falar comigo.

Angustiado com meus problemas que pareciam ser os mesmos sempre, parecia que eu nunca iria sair daquele círculo de aflições, quando percebi que minhas pernas estavam me levando por todos os lugares que eu queria, mesmo sem eu ordenar nada...

Que meus braços eram fortes e eu poderia utilizar essa força para o trabalho, e que meu cérebro possuía ainda um raciocínio muito rápido, e mais uma vez percebi que Deus queria falar comigo.

Mais a frente, vi um menino de no máximo 3 anos, com os braçinhos esticados e nas pontas dos pés pulando para alcançar uma maçã no alto de uma árvore.

Mesmo com todo o seu esforço, empenho e alegria, eu percebi que ele nunca iria conseguir alcançar aquela maçã... E nesse momento eu ouvi Deus me falar que nós somos iguais aquela criança, na maioria dos nossos dias, colocamos nossa felicidade, nossos melhores sonhos, em lugares tão altos como aquela maçã estava para o menino... Perseguimos frutos que não estão ao nosso alcance, e desprezamos o belo, as coisas boas que a vida nos oferece e nem damos a devida atenção.

Percebi então, quanto tempo eu estava perdendo amando quem não me amava,
trabalhando onde não me sentia feliz, fazendo coisas somente para agradar quem nunca mereceu... Desejando coisas que eu nem sabia se me fariam felizes, buscando um Deus da guerra para vencer meus inimigos, quando Deus é só amor.

Então compreendi que a felicidade está onde nós estamos, onde está o nosso coração e nesse dia eu ouvi Deus.

Eu acredito em você, sempre!

quarta-feira, junho 16, 2010

A Tentação



A tentação
© Letícia Thompson

A tentação é uma prova pela qual passa nossa parte humana em grau mais ou menos elevado. Geralmente atinge nosso lado fragilizado e carente onde, por isso mesmo, existe uma brecha. Ou seja, chega nos momentos onde estamos mais vulneráveis e é preciso estarmos atentos para não cairmos nessa armadilha que nos conduzirá ou ao sofrimento ou a perdas, às vezes irreparáveis.

Elas são diferentes para cada um segundo aquilo que seu coração dá maior ou menor importância. Assim, um copo de bebida alcoólica representa uma tentação para quem está tentando parar de beber e não representa nada para uma pessoa comum. Por isso mesmo precisamos estar vigilantes com as nossas fraquezas, pontos sensíveis onde sabemos que podemos ser levados.

Não se julgue forte demais. Você nunca esteve diante de algo que foi mais forte do que suas próprias forças e que te fizeram, por um instante, se esquecer de tudo o mais? Alguma coisa assim tão forte que por um momento você tivesse perdido toda a noção de pecado, certo ou errado... Por algum instante você não pensou, você se deixou levar, sem medir conseqüências, sem pensar no depois. É como se no mundo todo só existisse você e seu desejo. Mas a realidade é cruel depois. A consciência acusa. Para alguns é suficiente esse sentimento de culpa para refletir e parar por aí. Mas para outros... A prática contínua de atos pecaminosos pode levar à idéia de que tudo é natural e sempre haverá uma desculpa, um meio de justificação para esse ato ou aquele.

Deus não nos acusa. O fato de cairmos em tentação uma vez ou outra não nos torna pessoas perdidas, desde que reconheçamos nosso erro. O que Deus não aprova são essas pessoas para as quais o pecado torna-se coisa natural e que se justificam dizendo que a vida passa muito rápida e que devemos tudo experimentar.

Se você se conhece o bastante para ter consciência das suas fraquezas e não sabe se terá forças ou não para resistir, evite passar pelo caminho. Isso se chama sabedoria. Se soubermos que existe um abismo na nossa frente, vamos nos desviar, não? É assim com a vida... Certos caminhos, certas escolhas, podem ser abismos dos quais dificilmente poderemos sair.

A felicidade plena é a paz de espírito, a sensação de bem estar com a vida, com o corpo, com a alma. Se estivermos nesse caminho, sigamos em frente. Se não... É sempre tempo de voltar e escolher uma nova direção.



sexta-feira, junho 11, 2010

Amanhã não existe



Amanhã não existe
© Letícia Thompson


As pessoas não são eternas. Pelo menos não na vida terrena. Elas apenas passam, vive o tempo que lhes é ofertado e retornam a terra.

Ninguém pode acrescentar um segundo sequer à sua vida ou à de alguém. Não temos esse poder e quando a hora chega, ela chega.

Mas preferimos não pensar nisso. Julgamos que temos todo o tempo do mundo para fazer isso ou aquilo, para recuperar o perdido, para sarar o ferido e restabelecer a paz.

Amanhã eu ligo amanhã eu faço, amanhã peço perdão, amanhã me reconcilio, amanhã... Como se pudéssemos segurar o amanhã em nossas mãos! Como se ele fosse chegar por nossa vontade e trazer tudo como ontem ou como hoje! Amanhã? Hoje é o amanhã de ontem e tudo continua na mesma, por que se espera pelo amanhã.

Cada qual tem sua história e suas histórias. Cada qual sua cruz e suas dores, suas alegrias, seus lamentos, seus dissabores, seus ganhos e perdas. É o que nos forma como pessoas, que nos dá a impressão de existir, de fazer parte do universo. E há, assim, como com milhares de outros, relacionamentos quebrados, porque um dia alguém feriu e foi ferido.

Quando isso acontece, construímos em volta do nosso coração um muro, uma barreira que o outro não pode atravessar. Sentimos-nos tão importantes com isso que nem percebemos que esse muro impede o outro de entrar, mas nos impede, a nós, de sair. Tornamos-nos prisioneiros, aprisionados das nossas idéias e nossas mágoas. Não estendemos a mão e recusamos a do outro, caso nos estenda.

Enquanto isso, a vida continua. Não damos, talvez para punir e não recebemos como punição que nos infligimos a nós mesmos, inconscientemente.

Vamos deixar para amanhã para resolver isso, porque hoje estamos magoados demais, não conseguimos perdoar e não queremos dar o braço a torcer, afinal, não erramos. E eu diria como Cristo, quem nunca errou que atire a primeira pedra!

Amanhã não existe. O amanhã, só o conhece quando o sol nasce e que o Senhor nos dá aquele dia a mais. E todo mundo não chega lá. Não podemos afirmar que estaremos ainda aqui, porque a vida é imprevisível, às vezes temos o sentimento que é mesmo cruel.

Se o hoje nos é ofertado, por que não viver sem grades e sem muros, em comunhão com o mundo e com Deus? O orgulho? Olhe para ele de cara feia e diga: eu quero é ser feliz e se eu quero, eu vou ser feliz!

Muros nos impedem de abraçar, de sentir o calor ou as batidas do coração do outro. Impedem-nos de dar e de receber, nos transformam em pessoas separadas e isoladas.

Destrua, então, com coragem, dessa que só os grandes possuem esse muro em volta do seu coração e volte a abraçar. Perdoe, mesmo se perdão não foi solicitado, porque cada qual deve dar conta da sua vida a Deus e a outra pessoa responderá por si mesma.

Liberte-se, porque se o amanhã não vier para a outra pessoa, você terá que aprender a conviver com seu coração fechado e terá perdido os melhores anos da sua vida.