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quinta-feira, outubro 29, 2009

Pais separados x filhos

Ajude seu filho a assimilar melhor a separação
Decisões tomadas em conjunto facilitam entendimento da nova estrutura familiar

O casal já tomou a decisão de se divorciar, mas como comunicar aos filhos sobre o fim do casamento sem provocar ressentimentos? Em meio à decepções, crianças e adolescentes se sentem divididos e, muitas vezes, guardam para si dores que se refletirão mais tarde na vida adulta. De acordo com a terapeuta familiar Marina Vasconcelos, o processo de separação pode causar traumas graves nos filhos se não for muito bem resolvido entre todos os integrantes da família. "O diálogo e o respeito são fundamentais para que eles não saiam machucados da história e possam ter uma visão positiva dos relacionamentos amorosos", explica. "Mesmo nas situações delicadas, os pais servem de exemplos para os filhos. Se o exemplo é ruim, o filho, mesmo inconscientemente, vai segui-lo", aponta a terapeuta.

Como contar para os filhos?

A melhor opção é que os pais combinem entre si qual vai ser a versão contada para os filhos sobre os motivos da separação. A informação deve ser verdadeira e clara, mas sem ferir a moral de um dos envolvidos. "Quando o motivo é traição ou qualquer outro problema que de alguma maneira possa denegrir a imagem de um dos dois, é melhor omitir, afinal, ninguém tem o direito de ferir a imagem do pai ou da mãe para se vingar do parceiro", recomenda a Marina Vasconcelos.

Outro ponto é conversar com os filhos juntos, mostrando que há respeito e amizade entre o casal mesmo diante de um momento tão delicado. "Se o comunicado é feito por apenas uma das partes, a tendência é que os filhos tomem partido dela, por isso é importante que os dois estejam presentes", explica Marina.

Se os filhos ainda são muito pequenos, vale o mesmo procedimento: converse com a criança mostrando a ela que o pai e a mãe vão morar em casas separadas, mas que vão continuar sendo seus pais.

Minha família acabou?

A primeira coisa que passa pela cabeça dos filhos quando os pais se separam é a ideia de que a família unida e feliz que eles tinham não existe mais. Essa sensação ruim e intensa pode gerar consequências graves no comportamento das crianças. É nesse momento que os pais devem deixar muito claro, com conversas e atitudes, que pai e mãe não se separam dos filhos, "Acaba o casamento, mas o elo de maternidade e paternidade é para sempre", explica a terapeuta.

Também cabe aos pais mostrar que a família não acabou, apenas mudou seu núcleo. Nesse processo, é importante manter a participação das duas partes na criação dos filhos para que eles possam se livrar da sensação negativa de desamparo.

Mostre para os pequenos que pode ser divertido morar em duas casas, mas evite que ele crie uma visão de que a casa de um é diversão e a do outro, família. As regras de educação devem ser as mesmas nos dois novos lares.

Rotina nova pelo bem dos filhos

Assim como a decisão de como contar sobre o motivo da separação deve ser partilhada, os pais devem combinar entre si, a nova rotina dos filhos de modo que eles possam ficar com os pais de maneira igualitária. De acordo com Marina Vasconcelos, um erro comum dos pais é não deixar claro quais são os direitos e deveres de cada um dentro da nova constituição familiar, e isso faz com que os filhos se sintam inseguros em relação à participação de uma das partes na educação deles. "É fundamental existir uma conversa clara e democrática entre toda a família para que se estabeleçam regras e horários fixos para controlar as tarefas diárias", diz a terapeuta. "Na infância, essa delimitação deve ser ainda mais efetiva. Mesmo que a criança não entenda que ali houve um acordo, ela deve sentir que a presença dos pais na vida dela não se alterou com o divórcio."


"O diálogo e o respeito são fundamentais para que eles não saiam machucados e tenham uma visão positiva dos relacionamentos amorosos"As consequências do não entendimento da nova estrutura familiar que se constitui após a separação podem ser bastante doloras para os filhos. Um exemplo é a família de Rafael, pai de João, Pedro e Clarissa. "Depois da separação, Raquel, a mãe das crianças, não manteve contato frequente com elas e, por isso, quando ela aparece, as crianças ficam sem reação. Parece que o elo entre mãe e filhos foi cortado. É triste perceber que eles já não a tem como referência", diz ele.

As diferenças entre o casal devem ser resolvidas entre eles e sem a participação dos filhos. O ideal, segundo Marina, é que os filhos tenham liberdade para ver os pais e falar com eles na hora que precisarem, sem que sejam controlados e censurados, já que quando a família morava na mesma casa, eles tinham esse direito. "O filho tem que poder amar os dois, tem o direito de ter os dois, mesmo que separados. Quando os pais começam a usar o filho em chantagens que afetam o outro, por vingança ou por birra, o obrigam a tomar partido de algum dos lados, o que não é nada saudável", explica a terapeuta.

O filho é o reflexo dos pais

Desde pequenos, os filhos se inspiram nos pais para moldar seu caráter e personalidade. "Quando alguma coisa sai errada, esse referencial se distorce e uma nova versão toma corpo. O filho passa a achar natural relacionamentos conturbados, brigas entre casal e tende a procurar para si a referência que ele tem: a do amor como forma de dor", alerta Marina Vasconcelos.

Dicas para viver em harmonia depois da separação

- O casal deve se esforçar ao máximo para buscar uma separação amigável.
- Os pais devem manter uma rotina para os filhos e deixar claro direitos e deveres de cada uma das partes.
- Pai e mãe nunca devem falar mal do outro para a criança.
- Os pais devem procurar um profissional, caso a família não consiga resolver seus conflitos de forma harmoniosa.

sexta-feira, setembro 11, 2009

Mães Heroínas


Mães heroínas
© Letícia Thompson

Mães heroínas são essas mulheres valentes e extraordinárias que cumprem o papel de mãe e pai ao mesmo tempo.

Educar, principalmente nos dias atuais, onde os conceitos são completamente diferentes daqueles que aprendemos, não é tarefa fácil nem para um casal, onde a carga fica pelo menos dividida. Para uma mãe sozinha é um verdadeiro desafio.

Mães de maneira geral nunca tiram férias. Elas são o que são em tempo integral e com todos os extras possíveis. As mães sós vão além dos extras. Elas precisam pensar por dois, agir por dois, decidir por dois, ser más, quando para um filho ser mau significa receber um não, e ouvir isso do filho com o coração doendo.

Elas precisam ter sabedoria para saber que dar presentes, ceder quando não devem, não substitui a presença de um pai; elas precisam decidir sozinhas e arcar com as responsabilidades das suas escolhas sozinhas. Precisam fazer-se respeitar e guardar o limite mãe-filho-mãe. Precisam ensiná-los que elas têm uma vida independente deles e que deixar-se amar e amar outra pessoa não vai modificar o sentimento delas em relação a eles.

Mães que criam sós seu ou seus filhos são mulheres inteiras, vestidas com a armadura da paciência, resignação, força e coragem. Bem mais que alimentar e vestir, elas precisam preparar seus tesouros para a vida, ensinar a diferença entre bem e o mal, o certo e o errado.

Elas precisam estar sempre disponíveis, sem tréguas, noite e dia, a cada dia do ano.

Essas mães que são sozinhas por escolha ou fatalidade merecem, como todas as outras, carinho e compreensão; elas merecem, como todas as mamães do universo, um pedacinho desse arco-íris que colore a vida e promete que no fim do túnel haverá para elas também essa coroa de flores que chamamos felicidade.

quinta-feira, junho 25, 2009

A exuberante diferença da mulher



A exuberante diferença da mulher
Texto: Adriano Silva, 31 anos, diretor da Redação da Revista Super Interessante.

“Tome a mesma mulher aos 20 e depois aos 50 anos”.
Num segundo momento ela será umas sete ou oito vezes mais interessante, sedutora e irresistível do que no primeiro. Ela perde o frescor juvenil, é verdade. Mas também o ar inseguro de quem ainda não sabe direito o que quer da vida, de si mesmo, de um homem.

Não sustenta mais aquele ar ingênuo, uma característica sexy da mulher de 20. Só que é compensado por outros atributos encantadores de que se reveste a mulher depois dos 50. Como se conhece melhor, ela é muito mais autêntica, centrada, certeira no trato consigo mesma e com seu homem.

Depois dos 50, a mulher tem uma relação mais saudável com o próprio corpo e com o seu cheiro cíclico. Não briga mais com nada disso. Na verdade, ela quer brigar o menos possível. Está interessada em absorver do mundo o que lhe parecer justo e útil, ignorando o que for feio e baixo-astral. Quer é ser feliz. Se o seu homem não gostar do jeito que ela é, que vá procurar outra.

Ela só quer quem a mereça. Depois dos 50, a mulher sabe se vestir. Domina a arte de valorizar os pontos fortes e disfarçar o que não interessa mostrar. Sabe escolher sapatos, tecidos e decotes, maquiagem e corte de cabelo. Mas, sobretudo, gosta do melhor de si mesma. E tem gestos mais delicados e elegantes. Depois dos 50, ela carrega um olhar muito mais matador quando interessa matar.

E finge indiferença com mais competência quando interessa repelir. Ela não é mais bobinha. Não fica menos inconstante. Mulher que é mulher se pudesse, não vestiria duas vezes a mesma roupa, nem acordaria dois dias seguidos com o mesmo humor. Mas, depois dos 50, ela já sabe lidar com este aspecto peculiar da condição feminina.

E poupa (exceto quando não quer) o seu homem desses altos e baixos hormonais que aos 20 a atingem e a quem mais estivesse por perto, irremediavelmente. Aos 20, a mulher tem espinhas. Depois dos 50, tem pintas. Encantadoras pintas... Que só sabem mesmo onde termina, uns poucos e sortudos escolhidos. Sim, aos 20, a mulher é escolhida. Depois dos 50, é ela quem escolhe.

Não veste mais calcinhas que não lhe favorecem. Só usa lingeries com altíssimo poder de fogo. Também aprende a se perfumar na dose certa, com a fragrância exata. A mulher depois dos 50, mais do que aos 20, cheira bem, dá gosto de olhar, captura os sentidos, provoca fome. Depois dos 50, ela é mais natural, sábia e serena. Menos ansiosa menos estabanada.

Até seus dentes parecem mais claros. Seus lábios, mais reluzentes. Sua saliva, mais potável. E o brilho da pele não é o da oleosidade dos 20 anos, mas pura luminosidade. Aos 20 anos, ela rói unha. Depois dos 50, constrói para si mãos plásticas e perfeitas. Ainda desenvolve um toque ao mesmo tempo firme e suave. Ocorre algo parecido com os pés, que atingem uma exatidão estética insuperável. Acontece também alguma coisa com os cílios, o desenho das sobrancelhas.

O jeito de olhar fica mais glamoroso, mais sexualmente arguto. Depois dos 50, quando ousa no quer que seja, a mulher costuma acertar em cheio. No jogo com os homens, já aprendeu a atuar no contra-ataque. Quando dá o bote, é pra liquidar a fatura. Ela sabe dominar seu parceiro sem que ele se sinta dominado. Mostra sua força na hora certa e de modo sutil. Não para exibir poder, mas para resolver tudo a seu favor, antes de chegar o ponto de precisar exibí-lo.

Consegue o que pretende sem confrontos inúteis. Sabiamente, goza de prerrogativas da condição feminina sem engolir sapos supostamente decorrentes do fato de ser mulher.
Se você, mulher, anda preocupada porque não tem mais 20 anos, ou porque ainda não tem, mas percebeu que eles não vão durar para sempre, fique tranqüila. É precisamente, a partir dos 50, que o jogo começa a ficar bom!