segunda-feira, novembro 10, 2008

Eu sei...Mas não devia...

Eu sei...Mas não devia
(Marina Colasanti)

Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.
A gente se acostuma a morar em apartamento de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor.
E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora.
E porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas.
E porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo à luz.
E por que...À medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.
A gente se acostuma a acordar de manhã, sobressaltado...Porque está na hora.
A tomar café correndo porque está atrasado.
A ler jornal no ônibus porque não pode perder o tempo o tempo da viagem.
A comer sanduíches porque já é noite.
A cochilar no ônibus porque está cansado.
A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.
A gente se acostuma a abrir a janela e a ler sobre a guerra.
E aceitando a guerra, aceitos os mortos e que haja números para os mortos.
E aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz.
E aceitando as negociações de paz, aceitar ler todo dia de guerra, dos números da longa duração.
A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone:
-Hoje não posso ir.
A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta.
A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.
A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o que necessita.
E a lutar para ganhar o dinheiro com que paga.
E a ganhar menos do que precisa.
E a pagar mais do que as coisas valem.
E a saber que cada vez parará mais.
E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com o que pagar nas filas em que se cobra.
A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes, a abrir as revistas e ver anúncios.
A ligar a televisão e assistir a comerciais.
A ir ao cinema, a engolir publicidade.
A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.
A gente se acostuma à poluição.
À luz artificial de ligeiro tremor.
Ao choque que os olhos levam na luz natural.
Às besteiras das músicas,
Às bactérias da água potável,
À contaminação da água do mar.
À luta. À lenta morte dos rios.
E se acostuma a não ouvir passarinhos,
A não colher frutos do pé,
A não ter sequer uma planta.
A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer.
Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá.

Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço.
Se a praia está contaminada, a gente só molha os pés e sua no resto do corpo.
Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana.
E se no fim de semana não há muito que fazer, a gente vai dormir cedo e ainda satisfeito porque tem sono atrasado.
A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele.
Acostuma-se para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se da faca e da baioneta para poupar o peito.
A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, de tanto acostumar, se perde de si mesma.


sábado, novembro 08, 2008

Mulheres Espetaculares

Frases de Mulheres Espetaculares
(autoria desconhecida)

“Tenho fases, como a lua. Fases de andar escondida, fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua
Tenho outras de ser sozinha”.
(Cecília Meirelles, poetisa)

“Eu sou aquela mulher que fez a escalada da montanha da vida removendo pedras e plantando flores”
(Cora Coralina, poetisa)

“Você já foi ousada, não permita que a amansem”.
(Isadora Duncan, bailarina)

“Há dois tipos de pessoas:
As que fazem as coisas e as que ficam com os louros.
Procure ficar no primeiro grupo:
Há menos competição lá”.
(Indira Gandhi, estadista)

“Aprendi com as primaveras a me deixar cortar para poder voltar inteira”.
(Cecília Meirelles, poetisa)

“Amor é como mercúrio na mão. Deixa a mão aberta e ele permanecerá;
Agarre-o firme e ele escapará”.
(Dorothy Parker, escritora)

“Você não pode escolher como vai morrer ou quando. Você só pode decidir como vai viver agora”.
(Joan Baez, cantora)

“A idade não protege contra o amor. Mas o amor, em certa medida, protege contra a idade”.
(Jeanne Moreau, atriz)

“Dai-me Senhor, a perseverança das ondas do mar, que fazem de cada recuo um ponto de partida para um novo avanço”.
(Gabriela Mistral, poetisa)

“Nada na vida deve ser temido, somente compreendido.
Agora é hora de compreender mais, para temer menos’.
(Marie Curie, física)

Lembre-se, toda ação começa com uma idéia”.
(Kátia Zero, jornalista)

“Não tenho tempo de desfraldar outra bandeira que não seja a da compreensão, do encontro e do entendimento entre as pessoas”.
(Elis Regina, cantora)

“Quando nada é certo, tudo é possível”.
(Margaret Drabble, escritora)

“Um relacionamento requer muito trabalho e amor: superação de si, dos próprios desejos. Sobretudo curiosidade e nenhum cinismo”.
(Nastassja Kinski, atriz)

“Todo prazer sentido com gosto parece-me casto”.
(Marguerite Yourcenar, escritora)

“Quem não sabe chorar de todo o coração também não sabe rir”.
(Golda Meir, estadista)

“Nunca se deve engatinhar quando se tem o impulso de voar”.
(Hellen Keller, escritora e educadora)



sexta-feira, novembro 07, 2008

Idades da Mulher



Idades da mulher
(Mário Quintana)

Aos 3 anos:
Ela olha pra si mesma e vê uma rainha.

Aos 8 anos:
Ela olha pra si e vê cinderela.

Aos 15 anos:
Ela olha e vê uma freira horrorosa.

Aos 20 anos:
Ela olha e se vê muito gorda, muito magra, muito alta, muito baixa, muito liso, muito encaracolado, decide sair mas...Vai sofrendo...

Aos 30 anos :
Ela olha pra si mesma e vê muito gorda, muito magra, muito alta, muito baixa, muito liso, muito encaracolado, mas decide que agora não tem tempo pra consertar então vai sair assim mesmo...

Aos 40 anos :
Ela se olha....Vê muito gorda, muito magra, muito alta, muito baixa, muito liso, muito encaracolado, mas diz: pelo menos eu sou limpa e sai mesmo assim...

Aos 50 anos:
Ela olha pra si mesma e vê eu sou, e vai pra onde ela bem entender...

Aos 60 anos:
Ela se olha e lembra de todas as pessoas que não podem mais se olhar...Sai de casa e conquista o mundo...

Aos 70 anos:
Ela olha pra si e vê sabedoria, risos, habilidades, e sai para o mundo e aproveita a vida...

Aos 80 anos:
Ela não se incomoda mais em se olhar...
Põe simplesmente um chapéu violeta e vai se divertir com o mundo...
Talvez a gente devesse pegar aquele chapéu violeta mais cedo...