quinta-feira, maio 03, 2012

Quando os corações se encontram

QUANDO OS CORAÇÕES SE ENCONTRAM

Por Maria Helena Bellini
Fonte: www.profashional.com

Visitar asilos, orfanatos e instituições que cuidam de animais abandonados pode se tornar um passeio inesquecível e repleto de emoção

A palavra doar, segundo o dicionário, significa “transmitir gratuitamente a outrem bem, quantia ou objeto que constitua propriedade”, mas para quem recebe, significa ato de amor. Muito mais que levar produtos de primeira necessidade a uma instituição beneficente, o que mais as pessoas que estão ali internadas precisam é de alguém que tenha um tempinho para conversar.

A especialista em Psicopedagogia e Educação Especial e coordenadora em São Paulo do Curso de Especialização em Neuroaprendizagem no Instituto Saber/FACEPD, Dra. Maria Irene Maluf, diz que “quantas vezes ficamos verdadeira e profundamente entristecidos ao vermos na mídia notícias sobre animais abandonados à própria sorte, crianças e idosos desamparados por suas famílias e nos julgamos impotentes diante dessa realidade? Inúmeras, com certeza. Notícias como essas estão presentes no dia a dia e acessíveis para todos nós, até mesmo diante de nossos filhos, seja nas ruas, nas telinhas do computador e da TV. E nem sempre recebemos, ao longo da vida, orientações claras de como agirmos para mudar um pouquinho que seja essa realidade tão dura em que vivem, infelizmente, muitas pessoas e animaizinhos”.

O exercício da solidariedade, da cidadania é um aprendizado. A psicopedagoga conta que uma direção que pode e deve ser dade a partir da infância, na educação rotineira, seja familiar ou escolar, acontece no sentido de ensinar o valor da sensibilidade, da empatia, da ajuda posta em prática em situações diversas, como, por exemplo, nas visitas a entidades assistenciais e locais que abrigam os animais deixados à própria sorte nas ruas.

Nesses encontros, Dra. Maria Irene ressalta, aumenta a oportunidade de autoconhecimento, reflexão, valorização da vida, responsabilidade pessoal e social, fortalecimento dos laços de amizade, de valores morais e éticos, entre outros. Levar as crianças e os adolescentes a ajudar os menos favorecidos desde cedo, vai ajudar a fortalecê-los frente às tragédias e às perdas da vida, as quais, de uma forma ou de outra, ninguém está livre de passar em alguma época da sua existência. “Vivenciar de perto, compartilhar o sofrimento das outras criaturas, faz com que se desenvolvam os sentimentos mais genuínos de amor ao próximo, de sensibilidade frente à dor do outro e se diminuam o orgulho, a vaidade, o egoísmo e a futilidade, que cada vez, me parece, mais difundida, e muito voltada ao consumismo e à competição desregrada e sem limites entre iguais”, ensina.

Para a psicopedagoga, até mesmo os adultos com pouca experiência nessa iniciativa de colaboração social podem vislumbrar ali uma ótima oportunidade de se aproximar mais dos filhos, sobrinhos, netos, alunos, aprendendo junto com eles essa lição de ser humano.

PROMOVA O BEM

A solidariedade não precisa ficar restrita apenas às doações de produtos e dinheiro, que são igualmente importantes, sem dúvida, porém visitar as alas pediátricas de hospitais e também orfanatos para contar uma história às crianças, cantar músicas, abraçar, beijar, ir aos asilos e escutar o que aquele pessoal da melhor idade tem tanto a ensinar, doar carinho e tempo aos animais são momentos mágicos, pois é quando acontece o encontro do seu coração com outro, e ambos se enchem de amor. Pense nisso quando fizer o roteiro de atividades da sua semana, sozinho ou em família! Aposto que bem perto da sua casa ou trabalho existe uma entidade precisando do seu apoio.

AMIGOS PELUDOS TAMBÉM PRECISAM DE CARINHO

Infelizmente, a irresponsabilidade de muitos acarreta em abandono de animais domésticos, algumas vezes, porque não querem mais cuidar deles ou vão viajar e não podem deixá-los em hotéis ou não têm quem cuide do bichinho em sua ausência. O grupo Patinhas On Line possui um site (www.patinhasonline.com.br) em que divulga atividades nas quais todas as pessoas podem colaborar, alistando-se para tarefas de sua preferência, além de poder adotar um cão.

A revisora Lílian Regato Garrafa é uma dessas voluntárias. “Há mensalmente multirões e todos são convidados a participar. Consiste desde lavar as baias onde os animais ficam, dar banho neles, vermifugar, fazer pequenas reformas (tarefas geralmente destinadas aos homens) e passear com os cachorros”, conta. Esses passeios são a tarefa de que as crianças mais gostam. Inclusive ela e o filho adotaram um cachorrinho, depois de participarem algumas vezes desses eventos. “Foi amor à primeira vista”, contou.




quinta-feira, abril 19, 2012

Brincando com o Raciocínio

Brincando com o Raciocínio
Autora: Mirella Stivani
Fonte: www.profashional.com

Os jogos de tabuleiro, além de divertidos, são um excelente exercício para a mente.

A tecnologia proporcionou a criação de jogos cada vez mais modernos e com vários efeitos especiais. Mas os antigos e sempre atuais jogos de tabuleiro continuam sendo uma ótima opção para reunir a família e os amigos com bônus extra: além de econômicos e fáceis de montar, estimulam o raciocínio.

“Os jogos de tabuleiro ajudam o desenvolvimento de habilidades básicas que contribuem para a organização do pensamento e de ações utilizadas nas mais diferentes situações da vida”, explica Silvânia Lúca Chaves Assis, coordenadora pedagógica da Ed. Infantil e Fundamental I do Colégio Pitágoras Cidade Jardim.

“Vale ressaltar que esse tipo de jogo permite e instiga o participante a desenvolver as suas habilidades e competências intelectuais. Isso acontece a partir da interação dos jogadores, o que intensifica as relações interpessoais”, lembra a psicopedagoga Amanda Castanheira.

TIPOS DE JOGOS

Os jogos de tabuleiro, além de estimular a capacidade de raciocínio e o desenvolvimento da inteligência, unem diferentes gerações. Existem várias opções para todas as idades. “Algumas como jogo da Velha, Dama, Hora do Rush, Xadrez, Banco Imobiliário, Can Can, Máster, Quebra-cabeça, entre outros, são muito boas”, indica Silvânia.

Já para Amanda, “existe uma variedade de jogos no mercado de brinquedos, mas é possível destacar os mais apropriados para o desenvolvimento do raciocínio, como jogos de percurso ou trilha, jogos de damas e xadrez”.

TECNOLOGIA X TRADIÇÃO

Para as crianças que nasceram em plena era da tecnologia, os jogos de tabuleiro podem parecer pouco atrativos. Mas o importante é que alguém apresente a elas todas as possibilidades desse tipo de brincadeira. “Penso que os pequenos gostam das brincadeiras que são apresentadas a eles. Poucas famílias investem em tempo para escolher e apresentar às crianças jogos de tabuleiro. É preciso introduzir a experiência, colocar em prática e curtir.”

“Pais e educadores precisam estimular as crianças a resgatarem essas brincadeiras. É preciso conscientizá-las por meio da prática do brincar que os jogos de tabuleiro são divertidos e interativos e que além de estimular o raciocínio lógico, também criam laços muito significativos que superam qualquer conhecimento”, completa Amanda.

Portanto, além de serem indicados para estimular o raciocínio, a concentração, a imaginação e a criatividade, os jogos de tabuleiro são uma ótima maneira de entreter e aproximar as pessoas. Vamos jogar?

segunda-feira, abril 09, 2012

Supermães em ação

Supermães em Ação
Marisa Abel
Fonte: www.profashional.com

Elas não vestem fantasias nem capas vermelhas, mas são consideradas super-mães e exageram nos cuidados. Saiba os pós e contras da super-proteção

Faz parte do instinto materno proteger o filho, mas a proteção de ter um limite para que não torne essa mãe invasiva, pois o excesso de cuidado pode prejudicar na formação da criança, o que acarretará em conseqüências nos períodos seguintes, como adolescência e juventude.

Difícil é mensurar, por se tratar de relações humanas, não há como estabelecer um parâmetro já que as pessoas têm opiniões diferentes e o que pode ser super-proteger para uma criança/adolescente, pode não ser para outra.

A psicóloga Camila Guering Alencar de Melo diz que essa proteção não deve prejudicar o desenvolvimento saudável da criança e impedir que ela realize pequenas conquistas esperadas pela sua idade.

Camila faz um breve relato sobre esse tipo de criação: “Mães super-protetoras são aquelas que criam seus filhos de maneira a promover a eles todo e qualquer cuidado de forma excessiva sem que eles possam das conta de algumas de suas necessidades por eles mesmos. Elas não conseguem permitir que seus filhos sofram algum tipo de frustração e/ou angustia e só imaginar alguma situação de risco que o filho possa sofrer, agem de forma a tentar evitar ao máximo essa possibilidade”.

Fato é que esse tipo de comportamento se estende também à vida adulta. Com uma mãe super-protetora em casa, a estudante de odontologia Thais Golfieri declara: “Ela quer saber de tudo e sempre acha que estamos escondendo algo e opina sobre nossos atos, mas seu carinho compensa. O que atrapalha é que os meninos ficaram acomodados”; a mãe, Maria Imaculada Golfieri rebate: “Eu gosto de fazer tudo por eles, principalmente o que minha mãe não pôde fazer por mim”.

Quando pergunto se ela exagera nos cuidados, a resposta vem imediata: “Ser prestativa é da natureza e não percebo o exagero. Quero garantir que estejam bem sempre. A ex-namorada do meu filho mais velho ficou conosco alguns meses deste ano aqui em casa e esse cuidado se estendeu para ela também, é meu jeito de ser”.

A psicóloga informa que algumas pessoas podem “aproveitar” e ter ganhos secundários com esse comportamento materno. “Elas usufruem disso e esperam por tudo, por exemplo, não pegam um copo de água e ficam manhosas. São as conhecidas como mimadas. Outras podem se sentir sufocadas e tornarem-se “rebeldes” como forma de protesto. Vale destacar que estas podem também sofrer “bulling” por não saber se defender ao serem “atormentadas” por outras crianças quando estão em idade escolar”.

O que todos devemos lembrar é que aprendizados são necessários para sabermos fazer escolhas e quais são as próprias possibilidades.

Confira mais sobre o tema com a entrevista que fizemos com a psicóloga Camila Guering:

Quais são os benefícios e os malefícios do excesso de cuidado?
Camila Guering
: O que podemos pensar em beneficio de se ter um excesso de cuidado seria o fato de serem crianças e adultos mais cuidadosos. Em geral, podem-se ver mais malefícios,. Como a insegurança e a dependência. Pessoas que apresentam dificuldades maturacional. É preciso que os pais fiquem atentos às pequenas conquistas do filho e reconheçam que não precisam e nem devem interferir em cada um dos seus passos.

Em quais momentos são recomendados mais cuidados?
Camila Guering: Uma mãe deve proteger o filho, claro, mas tudo dentro dos limites, como, por exemplo, quando ele ainda for um bebê, é necessário lavar as mãos antes de manipula-lo; limitar visitas; não permitir que crianças pequenas mexam com facas e fogão; entre outras coisas. Porém, outras atividades elas devem e podem fazer de acordo com a sua idade. O desenvolvimento saudável da criança vai depender não só de como ela é criada, mas também de como ela consegue lidar com esse modo de cuidado de sua mãe.

Há alguma explicação para esse comportamento?
Camila Guering: Muitas vezes está ligado ao modo como essa mãe amadureceu e como ela própria foi criada e com sua ansiedade. Diversos comportamentos maternos são reproduções de como fizeram nossos pais. Em alguns casos, podem super-proteger seus filhos por terem se sentido desprotegidas na sua tenra idade e outras por se sentirem culpadas com algo que já tenha acontecido com seu filho.

Mães super-protetoras criam que tipos de filhos?
Camila Guering: Podem crescer pessoas inseguras, medrosas e que são muito dependentes. São crianças que pouco se arriscam, mesmo porque não sabem como lidar com algumas situações.

É possível uma reorganização no modo de criar?
Camila Guering
: Sim, mas é claro que essa reorganização deve partir da mãe. Ela precisa poder enxergar seu filho, com suas capacidades e deixá-lo tomar conta de si mesmo de acordo com sua idade.